PATRIMÓNIO

Mosteiro de VilarinhoO Mosteiro

Ao longo dos séculos, Vilarinho viveu em torno do seu mosteiro, como, aliás, era comum em quase todas as freguesias que abrigavam edifícios do género. Foi este, de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e, dizem alguns autores, terá sido uma abadia secular muito rica, fundada anteriormente a 1070, para sepultura de uns fidalgos da geração dos Fafes. O seu abade, Gonçalo Anees Fafes, fundou junto a este templo, o convento, ao qual aplicou as rendas da sua abadia e do qual foi o seu primeiro abade vitalício. A construção do mosteiro foi iniciada em 1070, em 1074 já estava concluído e era habitado por 10 cónegos. O Mosteiro de Vilarinho vem abundantemente documentado nos séculos XIII e XIV, nomeadamente, no “Censual do Cabido da Sé do Porto” (1120).

Os bens do mosteiro, entregue aos comendatários, foram largamente esbanjados e, depois da extinção deles, as suas rendas foram unidas ao Mosteiro de Landim, tendo sido já, anteriormente, em 1488, unido ao de Roriz.

No início do século XVIII, em 1706, apenas dois frades habitavam o mosteiro e, em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, a igreja paroquial, os restantes edifícios e propriedades, foram vendidos a particulares.

A antiga igreja paroquial de São Miguel de Vilarinho, em estilo românico, é possivelmente do século XII, apesar de ter sofrido já algumas modificações em épocas posteriores. No claustro, do qual só restam vestígios, existe um arco sólido com um túmulo datado do século XIII ou XIV. Nele está sepultado o Prior D. João Gonçalves. Esta igreja é considerada desde 1953, “imóvel de interesse público”.

Noutros tempos, o mosteiro recebera várias alterações. Armário de 1702A mais visível é o nartex que lhe foi acrescentado (talvez no século XIV), como antecâmara da nave. O pórtico primitivo da igreja recorta-se com moderada profundeza em três arquivoltas com apreciáveis capitéis. A nave da igreja, relativamente espaçosa, é muito estimável pela segurança e pelas proporções. Tem a cabeceira rectangular, com cobertura interior de madeira, de caixotões (século XVII). O arco triunfal de estilo românico é robusto, assente em quatro colunas com belos capitéis historiados. Sobre esse arco, está uma belíssima escultura (de calcário de ançã) representando S. Miguel, padroeiro da igreja. No seu interior pode-se ainda apreciar duas pinturas quinhentistas representando S. Miguel e S. Pedro e um armário em madeira, datado de 1702.

O antigo claustro desapareceu. Restam apenas algumas pedras dispersas. Num recanto subsiste um arco sólido datado de 1417.

 

O Castro de S. Pedro

No Monte de São Pedro, existem vestígios de ocupação e fortificação castreja.

Nos finais do século XIX, foi descoberto em Vilarinho, um autêntico tesouro, composto por milhares de moedas romanas em bronze, referentes a vários imperadores anteriores a Constantino Magno. Segundo Jorge Alarcão, estarão datadas do último quartel do século III d.C.. Em tempos, foram estas moedas guardadas na Casa dos Burgos, que já no tempo de D. Dinis era terra honrada da família dos Barbosas.